Vista de Havana da sacada do meu quarto
Ainda no avião...
Foi muito estranho. Ao ponto de não saber ao certo aonde estava e nem aonde iria.
Até o Panamá são sete horas de vôo e pela primeira vez, em todas as viagens, meu assento não seria na janela. Ajeitei-me timidamente no corredor. Cheguei até pensar que não teria problemas com a nova posição sem vista pro lado de fora, pois já conhecia o trajeto. Então: não terá nada de diferente até o Panamá city - as nuvens se movem, mas são sempre iguais. Tolice!! Sou daquela que vê formas e vida às nuvens, como se eu estivesse ali e elas, a me seguirem. Senti falta delas.
Dessa vez sem livro - sem Clarice, sem Sofia, sem Saramago. Sabia que me identificaria com a literatura cubana, e de fato! Levei apenas um guia só pra dizer que, possivelmente não me perderia e só pra garantir que já soubera de algo. Queria muito ler, admirar Cuba ali mesmo, sentada no corredor. Mas não conseguia enxergar uma palavra se quer. Enquanto pensava nas músicas, no povo, nas histórias tinham duas pessoas ao meu lado pensando em Miami, Florida e o caralho a quatro. Sim, eu lia seus pensamentos - afinal era um vôo com conexão e que algumas frases já se podiam escutar: "Será que conseguirei os notebooks? Comprarei muito dessa vez..." Definitivamente não daria pra ler meu guia de Cuba com aquele clima de ansiedade.
Cheguei ao Panamá e me deu uma vontade louca de ligar para o senhor Portugal - um taxista que me ajudou muito quando estive por lá em uma outra expedição click aqui (sempre achei muito engraçado seu nome- porque de português ele não tinha nem o bigode. Mas não liguei, esqueci completamente de levar seu telefone, aquilo me deu tristeza. Triste também foi perder o movimento das nuvens e, perder a paciência pela falta de concentração ao ler um guia. (ao meu ver um vôo que faz conexão pra Havana jamais deveria fazer para Miami ,enfim).
...Minha ficha caiu, estava mesmo a caminho de Cuba ( hoje sei porque sou chamada de telerj - e só hoje hahahahah). Agora sim, olho para passagem e já vejo logo: Panamá city / Havana. Aquilo me deu uma sensação tão boa, quase que um orgasmo derradeiro. Dividi o vôo com estudantes de todas as partes da América, principalmente do Brasil. Pude entender que faziam medicina na ilha de Fidel e que as aulas começariam na segunda - o vôo foi num domingo.
Não tive tempo de tirar o "cinturon de seguridad", cheguei!!! As malas são observadas pelos policias e pelos mais lindos cachorros. Eles cheiram nossas bagagens com tanta força que dava até pra escutar um ruído de um cachorro feliz por receber biscoitos ao final do expediente. Achei graça porque teve uma bagagem que, sinceramente pensei que fosse dar merda. O cão cheirou, subiu, deitou, arrastou, parou e olhou profundamente. Mas saiu abanando o rabo feliz da vida por ter outras centenas a cheirar.
Logo uma policial me perguntou pra onde iria, endereço e por quanto tempo. Pasmem! Eu se quer me dei o trabalho de olhar o endereço antes de viajar. Disse isso a ela - mostrei meus vouchers e só sabia que o nome do hotel era não sei que lá Libre. Acho que ela não quis perder tempo comigo e me deixou ir. E eu fui. Chamo isso de passarela da felicidade: aquele corredor que divide o seu passado do futuro - aquele que divide "o você" de antes para "o você" de depois. Aquele corredor que, ao final se vêem pessoas e que me fazem pensar: essas pessoas não sabem, mas mudarão a minha vida, pra todo o sempre...
Um senhor muito do simpático estava a minha espera, seu sorriso de boas vindas me deixou mais feliz e pude esquecer da frustração por não viajar nas formas das nuvens. haahahhah
-Hola, Tatiana, espere un ratito, voy a buscar el auto. Será que entrarei num daqueles carros velhos originais de Cuba??? Fiquei ali a sua espera com aquela ansiedade que socava meu peito.
-Señorita, es este, vamos??? A que pena, era um peugeout 207. Que pena?? Que descoberta! Pode-se ver carros novos sim.
Pedi para ir na frente, queria começar ali mesmo às 22:00 hs um tour pela cidade... Fomos conversando, a primeira pergunta que ele fez: - Y cómo esta el Lula, presidente de Brasil??? Não entendi se ele queria saber da política ou da saúde do presidente. Porque quando perguntei sobre Fidel, ele me disse com um sentimento de alívio talvez: Fidel está bien, está vivo todavía. Então eu disse: Lula está bien, creo que sigue así.
Nossa conversa estava fluindo perfeitamente bem, quando resolvi perguntar uma coisa que jamais se deve perguntar a um cubano - ?Dondé vive el Fidel? A única resposta que tive em toda minha expedição à Cuba: Vive en el oeste del país...
Deitei no cantinho daquela cama tão grande, eu não precisava daquilo, quem escolheu aquele hotel pra mim??? Buenas noches....opa, esqueci a sacada aberta que ventania... e a voz responde: - Esqueceu não, Tatiana é que você não consegue fechá-la.
*Nota-se que os hotéis antigos têm as mesmas características, são de 4 a 5 estrelas, porém esse glamour ficou no passado. Saem por preços de hospedagens convencionais.Até porque ainda faltam manutenção e instalações...
..Detalhes de quem quer entrar num pais e só sair quando esse pais entrar em mim....Hasta luego amigos, até o dia seguinte com Havana e seus encantos contrastantes...
6 comentários:
Oi Tatiana, Tudo bem?
Que bacana esse seu blog, muito interessante estou lendo vários textos aqui. Esse mesmo ta incrível. Parabéns pelo Blog e pelos Textos.
Vou continua acompanhando seus textos, pois já tou seguindo já. Segue o meu lá também, tem um trabalho bem bacana.
http://galeriadephotoos.blogspot.com/
Saudações, Abraço!
Suedivaldo
que delícia. Obrigada, viu?? Visitarei sim, até breve
abraços
consegui me sentir na varanda no hotel à noite, olhando para o céu de Havana....entrei nesse seu corredor que separa o antes e o depois...
Olá Tati!
Cuba tem todos seus defeitos e todas as suas belezas.
Bom saber um pouco mais deste país.
Um abraço!
legal teu blog , entre o antes e o depois gosto disso... me faça uma visita, se gostar.. sonhe comigo já estou viajando contigo... bjo até depois.
TATI!!!!MINHA CABEÇA ESTA EM HAVANA AGORA COM ESSA RIQUESA DE DETALHES!!!!
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